de tempos de ventos

Juntar as folhas já secas
Dos dias longes
Que ontem seriam amanhã

Colecionar os cacos
Colhidos dos erros
De esperança sempre vã

Costurar o pano
Rasgado e gasto
Que o peito embrulha e desfia

Guardar noutra alma
Lembrança que sufoca
De passado insistente e frio

Ouvir nos pés
vento que traz
Nova canção

Querer vida
Nova estrada
Acreditar

O doce entregar-se
ao medo de quem nos chama
Sem ensaio sem saber

O calmo enrolar-se
Mais um dia em nova trama
Sem pudor de querer ser

Acomodar no beijo
O peito, brisa morna

Entender o tempo
A espera, grata senhora

Confiar no caminho
Que se faz onde pisa

Amar mais uma vez mais

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