de tempos lunares

Falo do amor que me invade
A alma, loucura
Que a tudo dá sentido
Cria o cais em mim, remanso
Acende o céu por onde eu piso

Relógio na parede
Não marca hora
Diz que é tempo, há tempo

De amar
Mas há medo

Falo então pro amor que é cedo
Digo a ele que se cale
Que se guarde na saudade
E o resto no pensamento

Digo que ainda não cabe
Esquecer tanta pergunta

Mas e se depois for tarde?

Por ora hoje me convenço
Na certeza de ser talvez
Seguro, morro de velho
Mas não de amor outra vez

E o amor, enclausurado
Contido e contrariado
Espia, com pouco alarde
Pela cortina fechada que esconde

A luz quase solar da manhã
A pedra prendendo a pipa no chão
A lua em eclipse total
Enquanto olho a televisão

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