Passarinho era poesia
Sanhaço, quero-quero, bem-te-vi
Fez verão, fez rima e verso
reboliço, passarinho
Quis até fazer um ninho
Quando passou por aqui
Mas era mesmo canário
Passo solto, pouso ligeiro
Era voo e era vento
Era tanto, e tão pouco o tempo
Que foi então momento
Dia de voar-sair
Sabiá que era, só queria céu
Não haveria de ser meu
O encanto do canto-amor
Desse arteiro beija-flor
Que bem via voar por aí
Vai ser nuvem
passarinho, vai voar
Sei ser leve, se quiser
Se der pra me levar
Leve o que couber no peito
E se eu não estiver lá
Leve logo meu sossego
Que eu daqui me ajeito
E invento
Outro nome pra lembrar
Leve tudo e deixe aqui
O que não der pra carregar
Junto folha, enquanto passa
O tempo, vou fazer casa
João-de-barro
Vai ser nossa, lugar de morar
Volta um dia, se quiser
Prometo, daqui não parto
Só sei querer esse teto
E tento, vou te esperar
E quem sabe então um dia
Numa tarde, com muita sorte
viro parte da poesia
Quem sabe, se for de ventar
Quem sabe um dia
passarinho, te vejo voltar
Teu canto pousar no ninho
No dia certo de amar
frases que me ocorrem nos contratempos. versos que me escorrem se me encontro, nos encontros, quando há tempo.
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